Canadá anuncia 20 mil milhões de dólares em tarifas sobre importações dos EUA

Canadá anuncia 20 mil milhões de dólares em tarifas sobre importações dos EUA

O ministro das Finanças do Canadá anunciou esta terça-feira que o país irá igualar as tarifas americanas "dólar a dólar" e impor taxas de retaliação sobre o aço, os produtos lácteos, os eletrodomésticos e uma série de outros produtos americanos.

RTP / Adicionar como fonte informativa
François-Philippe Champagne, ministro das Finanças do Canadá, numa reunião de preparação para o G7 em França, em maio de 2026 Foto: Kenzo Tribouillard - AFP

No total, serão tarifados pelo Canadá aproximadamente 20 mil milhões de dólares (cerca de 17 mil milhões de euros) em importações americanas, entre 15, 25 e 50 por cento, com as taxas a entrarem em vigor à meia-noite de 8 de setembro. As novas tarifas irão incidir sobre mais de 700 produtos, muito além dos industriais, afetando bens de consumo quotidiano, como marisco, queijo, vestuário, cosméticos e papel higiénico. 

As contramedidas direcionadas incluem também um pacote de apoio de 7,5 mil milhões de dólares para trabalhadores e empresas afetados pelos impostos norte-americanos.

Esta é a retaliação mais recente às tarifas de 50 por cento impostas pela administração Trump sobre uma pequena percentagem de produtos canadianos a partir de sexta-feira, além das tarifas americanas já existentes sobre o aço, o alumínio, os automóveis e a madeira canadianos impostas após o colapso das negociações comerciais entre os dois países.

Antes de anunciar as tarifas em comferência de imprensa, François-Philippe Champagne disse que o Canadá enfrenta um "desafio sem precedentes", mas acrescentou, "os canadianos estarão à altura do momento".

"Quando o Canadá se une, nada nos pode deter", afirmou.

François-Philippe Champagne explicou que as novas tarifas impostas pelos EUA vão afetar de forma desproporcional as pequenas e médias empresas canadianas. Por isso o executivou compôs um "pacote de apoio substancial" e focado em garantir que as empresas possam ser competitivas no mercado canadiano.

"É isso que está a nortear a nossa resposta. É isso que vai nortear a nossa resposta nos próximos dias e semanas", explicou.
"Movimento de resistência"

A ministra canadiana da Indústria, Mélanie Joly, detalhou na mesma conferência de imprensa os apoios relativos às empresas.

Joly afirmou que o pacote dará acesso a fundos orçados em três milhões de dólares canadianos, em empréstimos não reembolsáveis ​​às pequenas empresas e até dois milhões de dólares canadianos em empréstimos sem juros.

Estas medidas estarão acessíveis a empresas com um volume de negócios de cerca de um milhão de dólares canadianos, detalhou a ministra.

Mélanie Joly reconheceu a ansiedade e a preocupação dos líderes empresariais e dos trabalhadores de todo o país, mas garantiu que o governo os protegerá, bem como os seus empregos.

E deixou um apelo aos seus compatriotas. "Se virem um produto canadiano, por favor, apoiem-no."

"Ao escolher um produto canadiano, não se está apenas a pressionar os EUA neste momento, mas também a proteger os empregos", justificou.

A ministra afirmou que é isto que as pessoas podem fazer para iniciar "um movimento de resistência" contra as tarifas impostas pelos EUA.

"Não podemos esperar que Washington decida o nosso futuro; estamos a reforçar a nossa economia e a construir um Canadá mais soberano", reforçou.
Apoios a indivíduos e economia

A sua colega de executivo, com a pasta do Emprego e Famílias, Patty Hajdu, lembrou depois que não é a primeira vez que o Canadá enfrenta tarifas "injustas".

O Canadá vai "redobrar os esforços" e investir mais 3,5 mil milhões de dólares para "proporcionar estabilidade" aos indivíduos e à economia, acrescentou.

O governo irá também melhorar os programas de retenção e requalificação profissional, para que os funcionários possam manter os seus empregos mesmo quando as empresas estão em dificuldades, prometeu ainda Hadju.

Repetindo o diapasão dos seus colegas de governo, Evan Solomon, ministro para a Inteligência Artificial e Inovação Digital do Canadá, disse depois que o Canadá "não pediu este conflito comercial, mas estamos preparados para ele".

O Canadá está pronto para fazer um bom acordo, disse, mas não assinará um mau acordo. "Não assinaremos agora, e nunca assinaremos", prometeu.

"Não vamos ceder, não vamos quebrar, vamos construir", garantiu.

No total, o programa de apoio do executivo do primeiro-ministro Mark Carney prevê alocar verbas com diversos objetivos.
  • Um investimento adicional de 1,5 mil milhões de dólares canadianos (cerca de mil milhões de dólares) para ajudar as pequenas e médias empresas, incluindo o apoio à liquidez para gerir as pressões relacionadas com as tarifas.
  • Um novo fluxo de liquidez de 500 milhões de dólares canadianos para ajudar as empresas a "gerir as pressões imediatas de tesouraria, além de programas específicos para os setores florestal, siderúrgico e do alumínio".
  • Redução do requisito mínimo de receitas para os candidatos aos programas relacionados com as tarifas do Banco de Desenvolvimento do Canadá para um milhão de dólares canadianos.
  • Um investimento adicional de dois mil milhões de dólares canadianos para apoiar as empresas afetadas pelas tarifas "com projetos prontos para execução que apoiem a manutenção contínua do capital".
  • Um novo conjunto de Apoios de Resposta Rápida para Trabalhadores e Empregadores no valor de 3,5 mil milhões de dólares canadianos para ajudar os canadianos afetados pelas tarifas.
Sexta-feira passada, Mark Carney decidiu confrontar Donald Trump, interrompendo as negociações comerciais com os Estados Unidos devido às condições "injustas" impostas por Washington.

Esta aposta pode revelar-se economicamente arriscada. Os Estados Unidos são, de longe, o maior parceiro comercial do Canadá, representando 70 por cento do total das exportações canadianas para os EUA.
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